domingo, 10 de março de 2013

IBARETAMA ESTÁ ENTRE AS 14 CIDADES EM ESTADO MAIS CRÍTICO POR FALTA D´ÁGUA INCLUSIVE PARA O ABASTECIMENTO HUMANO

O alerta de falta d´água mais crítico, inclusive para o abastecimento humano, já paira em 14 municípios: Alcântara, Antonina do Norte, Catunda, Coreaú, Crateús, Fortim, Ibaretama, Moraújo, Pacujá, Palmácia, Parambu, Pecém, Pereiro e Potiretama.

RECURSOS HÍDRICOS

Racionamento começa por perímetro irrigado do Curu

A seca que começou no ano passado provoca primeira intervenção de restrição de água para empreendimentos

Fortaleza. O Perímetro Irrigado do Vale do Curu, no município de Paraipaba, é o primeiro a sofrer com o racionamento d´água. Isso é uma consequências dos baixos níveis dos reservatórios da região, principalmente os açudes Pentecoste e o General Sampaio, respectivamente, com 18% e 20% da capacidade total.

Grande produtor de coco, o perímetro irrigado do Curu, em Paraipaba, é o primeiro a sofrer com a restrição no fornecimento, por conta da falta de chuvas
 
O racionamento foi anunciado pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), como medida necessária para não prejudicar o fornecimento de água para as pessoas da região. O órgão nega que outros perímetros venham a sofrer a mesma medida, com a confirmação de mais um ano de seca.

O diretor operacional da Cogerh, Ricardo Adeodato, disse que a situação com o Curu-Paraipaba, um dos maiores produtores de coco do Ceará, se dá exatamente pelo fato de que o segundo ano de chuvas abaixo do normal impactou fortemente na oferta dos reservatórios que atendem o município.

"O que ocorre no Ceará é que a bacia hidrográfica é desigual. Ao mesmo tempo que temos regiões onde não paira nenhuma ameaça de racionamento, outras avançam situações críticas", disse Adeodato.

O diretor operacional explicou que estão em situação crítica os municípios de Acopiara, Beberibe, Caridade, Irauçuba, Itapajé, Itatira, Milhã, Pacoti, Paracuru, Quiterianópolis, Salitre e Tauá, num total de 12 cidades.

No entanto, o alerta de falta d´água mais crítico, inclusive para o abastecimento humano, já paira em 14 municípios: Alcântara, Antonina do Norte, Catunda, Coreaú, Crateús, Fortim, Ibaretama, Moraújo, Pacujá, Palmácia, Parambu, Pecém, Pereiro e Potiretama.

"Não há riscos de faltar água para consumo humano. Isso quer dizer que o Governo do Estado, através da Defesa Civil, e mais os municípios deverão investir em adutoras, caminhões pipas e perfuração de poços", afirmou o diretor.

Ainda ontem houve uma reunião com os usuários dos sistemas de agricultura irrigada para avaliar onde poderia diminuir ou não a vazão de água bruta. Contudo, a Cogerh descartou qualquer racionamento para Tabuleiro de Russas, Morada Nova e Jaguaribe-Apodi.

"Mesmo que seja um ano de pouca recarga, implica que haverá necessidade de alimentos", disse Adeodato. No caso do Jaguaribe-Apodi, que é abastecido por vários sistemas, inclusive pelo açude do Castanhão, até a perspectiva de ampliação das áreas irrigadas para a produção de sorgo, com destinação para alimento do rebanho.

Também não haverá, pelo menos por enquanto, racionamento para o Araras Norte, uma vez que a recarga do sistema da bacia local está com mais de 40% das reservas.

Ao mesmo tempo, a falta d´água poderá se agravar em Crateús e Tauá. Ambas as cidades devem dever ter parte do problema resolvido com a construção de uma adutora.

Obras
Segundo a Cogerh, o total de reserva hídrica no Estado é de 8,2 bilhões de metros cúbicos, de um total de 18,1 bilhões de m. Além disso, há também 2,5 mil quilômetros de rios perenizados no Estado.

A situação de racionamento ainda não atinge Fortaleza e Região Metropolitana, mesmo numa simulação de reserva zero no sistema de abastecimento para a região. Mesmo assim, a recomendação é de maior austeridade no uso, conforme já foi noticiado por este jornal.

A Cogerh também diz que não impactou no calendário de obras para a conclusão do Eixão das Águas, que agora está na última etapa, ligando o açude do Gavião até o Pecém.

Já as obras do Cinturão das Águas ainda não tiveram início, tendo em vista que há uma dependência da transposição do Rio São Francisco. Mesmo assim, os serviços de engenharia, segundo informou a Cogerh, estão em fase de encaminhamento para a licitação.

A Cogerh tanto exerce o papel de gestora dos recursos hídricos do Estado do Ceará quanto de fornecer água bruta. Assim, realiza também o monitoramento qualitativo, com o objetivo de produzir informações que orientem os usuários na adequação da água bruta, bem como promover a conservação da qualidade da água para empreendimentos e usuários.

Mais informações:
Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh)
Rua Adualdo Batista, 1550 - Parque Iracema
Telefone: (85) 3218.7020

MARCUS PEIXOTOREPÓRTER

INFORMAÇÃO: DN